A vivência no CIEP Ismael Nery e o impacto da cidadania como ferramenta de transformação na Zona Oeste
Por Carlos Alvarenga
Hoje, com a maturidade que os anos me trouxeram, olho para trás e percebo com clareza inquestionável que a Cultura, a Educação, a Cidadania e a Comunicação não foram apenas conceitos abstratos em minha vida, mas os verdadeiros alicerces de quem me tornei. Embora eu não tenha acumulado grandes posses ou capital financeiro, considero-me uma pessoa plenamente realizada. Minha riqueza não está no banco, mas nas oportunidades que soube abraçar e nos projetos que consegui tirar do papel ao longo da minha jornada.
Minha trajetória tem sido pautada pela meritocracia, ou seja, pelo valor do meu próprio trabalho e pelo suor dedicado aos estudos. Entretanto, reconheço uma verdade fundamental: o esforço individual precisa de uma base sólida. Se eu não tivesse tido acesso a esses pilares, talvez não possuísse a estrutura necessária para aproveitar as chances que a vida me ofereceu. É por isso que acredito, com fervor, que precisamos oportunizar o acesso a essas vertentes para todos, pois elas são as ferramentas mais potentes que temos para minorar as mazelas da nossa sociedade.
O Retorno ao ponto de partida
A alguns anos atrás, vivi uma experiência que não tem preço. Retornei ao local onde minha promoção educacional começou: o CIEP Ismael Nery, situado no Conjunto Octacílio Câmara, no Cesarão, em Santa Cruz. Estar ali, em frente à escola que me acolheu na juventude, para coordenar um projeto que envolveu Desfile Cívico, Ação Social e uma Mostra Cultural no Dia da Pátria, foi o fechamento de um ciclo de profunda gratidão.
Levar essas oportunidades de volta à comunidade é, para mim, uma missão de vida. Quando uma pessoa tem acesso à informação, ao esporte e à arte, ela desenvolve algo transformador, que é o senso crítico. Ela passa a valorizar o convívio social, a respeitar a vida e, acima de tudo, a acreditar que é capaz de escrever o seu próprio destino, independentemente de sua origem geográfica ou social.
Gratidão e Continuidade
Nesta caminhada, não estive sozinho. Minha luta continua, pois ainda tenho sonhos e metas a alcançar através do meu labor diário e da minha constante busca por conhecimento. Mas nada disso seria possível sem o apoio de DEUS, a força inabalável da minha Mãe e a parceria dos amigos que caminham ao meu lado, ajudando-me a transformar ideias e ideais em realidade prática para o próximo.
Acredito que a comunicação, entendida como o ato de informar e educar com responsabilidade, é o que nos permite evoluir como cidadãos. Seguirei na batalha, não apenas pelo meu crescimento profissional e pessoal, mas para que outros também possam descobrir que a educação é a única chave capaz de abrir as portas que o mundo, tantas vezes, tenta manter fechadas para quem vem da periferia.