Traficante impõe taxa a mototaxistas e proíbe moto por aplicativo em Senador Camará, na Zona Oeste do Rio

Cobrança semanal e restrição ao transporte alternativo reforçam controle ilegal de serviços e ampliam denúncias de “narcomilícia” na região

Imagem ilustrativa gerada por IA / Visão Oeste Rio

Controle ilegal de serviços cresce na comunidade

A circulação de motociclistas de aplicativos de transporte foi proibida em uma comunidade de Senador Camará, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, por determinação de um traficante conhecido como “Sabão”. A medida, segundo relatos de moradores e trabalhadores, estabelece que apenas mototaxistas autorizados pelo grupo criminoso possam atuar na região, mediante o pagamento de uma taxa semanal de R$ 30,00.

A ordem teria passado a vigorar recentemente e já estaria sendo cumprida sob risco de represálias. Motoristas de aplicativos que não pertencem à comunidade estariam impedidos de entrar, o que afeta diretamente a mobilidade dos moradores.

Controle de serviços e na economia local

De acordo com denúncias, o domínio exercido pelo grupo criminoso vai além do transporte. Serviços essenciais dentro da comunidade, como a venda de gás, fornecimento de internet, comercialização de gelo e até produtos básicos, já estariam sob controle da mesma liderança.

Esse modelo de atuação tem sido caracterizado por especialistas e moradores como uma forma de “narcomilícia”, em que o tráfico de drogas passa a explorar atividades econômicas locais, impondo taxas e regras próprias à população.

A cobrança semanal aos mototaxistas funcionaria, na prática, como uma autorização informal para o exercício da atividade, consolidando mais uma fonte de arrecadação ilegal.

Casos semelhantes vêm sendo registrados em outras comunidades do Rio de Janeiro, onde motoristas de aplicativos relatam proibição de circulação e atuação restrita a mototáxis locais.

Restrição impacta moradores e trabalhadores

Com a restrição à entrada de motociclistas de aplicativos, a oferta de transporte alternativo teria sido reduzida, dificultando o deslocamento de moradores, especialmente em áreas com acesso limitado a transporte público.

Trabalhadores que atuam fora da comunidade também relatam insegurança para acessar a região, o que pode afetar a prestação de serviços e entregas. Já os mototaxistas locais, por sua vez, estariam submetidos à obrigatoriedade do pagamento da taxa para continuar trabalhando.

Ausência do Estado é criticada

A permanência desse tipo de controle criminoso ao longo dos anos tem gerado críticas por parte de moradores, que apontam a ausência do poder público como fator determinante para o fortalecimento dessas práticas.

Segundo relatos, o domínio do traficante conhecido como “Sabão” se estende há mais de uma década, período em que regras paralelas teriam sido impostas sem intervenção efetiva do Estado.

Especialistas em segurança pública destacam que a falta de presença contínua do poder público, aliada à vulnerabilidade social, contribui para o avanço de organizações criminosas que passam a exercer funções típicas de gestão local.

Desafio para a segurança pública

O caso evidencia um desafio estrutural enfrentado no Rio de Janeiro, onde áreas urbanas convivem com a atuação de grupos
armados que controlam territórios e exploram economicamente serviços básicos.

A adoção de medidas pontuais, sem continuidade, é apontada como insuficiente para reverter esse cenário. Políticas públicas integradas, com foco em segurança, infraestrutura e inclusão social, são consideradas fundamentais para enfrentar o problema de forma mais eficaz.

Enquanto a determinação segue em vigor em Senador Camará, moradores e trabalhadores permanecem submetidos a regras impostas fora da lei. O episódio reforça o debate sobre a necessidade de ações mais efetivas do Estado para garantir direitos básicos, segurança e liberdade de circulação nas comunidades da Zona Oeste.

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Carlos Alvarenga

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